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domingo, 17 de abril de 2016

"Charles foi vítima de uma sociedade que pouco oferece aos jovens", diz ex-professora de adolescente encontrado morto em cova rasa

A psicopedagoga Pâmela Bentivi compartilhou em sua página pessoal no site de relacionamento Facebook, fotos de momentos dela com o menor Charles Neves de Sousa, 14 anos de idade, encontrado morto em um matagal no bairro Trizidela, onde ele morava.


O fato ocorrido na tarde da última sexta-feira (15) deixou a população bacabalense triste e perplexa. O corpo de Charles estava envolto em um pano e enterrado em cova rasa. Exames feitos no cadáver constataram cerca de 14 golpes feitos de arma branca.


Charles foi aluno de Pâmela no Jardim de Infância Maneco Mendes que, por ironia do destino, usou na época (2008) como tema do desfile de 7 de Setembro o seguinte questionamento: “COMO SERÁ O AMANHÃ?”.
8 anos depois, pelo menos no caso de Charles, sabemos que não haverá o amanhã. Como diz Pâmela Bentivi em sua homenagem, Charles foi vítima de uma sociedade que pouco oferece aos jovens, e por falta de uma estrutura familiar sólida, acabam sendo seduzidos pelo fatídico caminho do crime!
“... meu aluno na educação infantil, era apenas uma criança carente de carinho e atenção. Fiz tudo que eu pude pra lhe dar atenção e saber, mas ele foi mais uma vítima de uma sociedade que pouco oferece aos jovens, e por falta de uma estrutura familiar sólida, acabam sendo seduzidos pelo fatídico caminho do crime!


Meu coração chora em saber que você Charles, teve um fim tão triste! Tia te ama!


Minutos após essa postagem ir ao ar, a assistente social Paola Vergara prestou sua homenagem ao adolescente Charles.

Agora entendo porque essa morte me afetou tanto. Mudou tanto que eu quase não o reconheci. Mas o meu coração reconheceu. Charles foi uma criança que não teve referência familiar solida e teve muito menos uma referência religiosa. Foi uma criança que cresceu carente de amor e carinho numa realidade com a marginalidade em volta. Uma criança que, por vezes, não tinha sequer uma roupa digna para vestir. Assim era a criança que conheci em meados de 2008. Uma criança que tinha um mix de doce e brutalidade. Brutalidade porque a vida lhe ensinara assim. Doce porque tinha muito amor para oferecer, pena não ter quem se importasse por receber. Naquela época ele entendeu e aprendeu o que foi possível ensinar. Pena que não foi possível fazer muito, já que ele tinha que sair da educação infantil.


Infelizmente a nossa sociedade não dispõe de mecanismos que ajudem a resgatar jovens como o que Charles se tornou e, associado à realidade como a que ele estava inserido, acaba por ser mais atrativo viver daquela forma. Uma pena não termos a chance de nos reencontrar atualmente e eu poder auxiliá-lo a sair desse caminho, como já aconteceu com tantos jovens.


Agora, vocês devem se perguntar: o que nós temos a ver com isso? Observemos como tratamos o outro. Observemos como nos reportamos aos nossos. Do mesmo jeito que ele enveredou por esse caminho, alguém de dentro de nossas casas tbm pode enveredar. É opcional? É! Mas a realidade vivenciada no dia a dia influência até mesmo os que se acham fortes demais para cair. Então, faço um pedido: Vejo muitos criticarem e mostrarem concordar com o que fizeram com ele por conta do caminho que ele decidiu seguir. Em vez disso, peço que rezemos por ele para que ele encontre a luz.


Rezemos por nós também, para que um dia não sejamos intimamente afetados por esse mal que, infelizmente, consome a nossa sociedade. Mas, rezemos principalmente por aqueles que ainda enveredam por este caminho, para que encontrem o caminho correto a seguir e tenham chance de um futuro melhor.


Charles, hoje pedirei a Deus que te perdoe e te acolha. Vou sempre se lembrar daquele menino traquino de coração enorme, que amava sumir da sala de aula para ir ao meu encontro conversar e tirar fotos. Descanse em paz.

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