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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Bacabal: Terra do já teve e do já foi. É uma verdade?

Júnior Pacífico de Paula
Engenheiro/Empresário/Ambientalista

Tanto nas conversas, nos bares, nos blogs, sempre ouvimos que a outrora pujante cidade de Bacabal, hoje é a cidade do já foi e do já teve. Bacabal que já chegou a ser a maior produtora de arroz do norte e nordeste do Brasil hoje não possui nenhuma usina de arroz, isso é verdade, no entanto cabem algumas reflexões e análises mais críticas, que devem ser pontuadas.

Antes de tudo, deve-se analisar a formação e origem das pessoas que constituíram nossa cidade. Percebe-se que em sua maioria são imigrantes de origem nordestina, que fugiram do sempre seco sertão nordestino, em busca da sempre úmida preamazônia maranhense, um local ideal para desenvolver principalmente a bovinocultura.

A nossa região há cem anos apresentava uma vegetação de floresta com árvores de grande porte e algumas poucas palmeiras de babaçu perdidas numa imensidão verde. Para domar esta terra os primeiros colonos derrubavam a floresta e plantavam arroz, esta foi durante décadas a atividade principal, entre as décadas de 50 a 60 além de plantar o arroz, aproveitavam a terra já beneficiada para plantar capim, advindo assim nossa grande vocação para pecuária. É lógico que com a explosão da bovinocultura na região e com os bois substituindo a cultura do arroz, as dezenas de indústrias de beneficiamento de arroz aqui localizadas tinham que buscar matéria prima em regiões cada vez mais distantes o que inviabilizou a operação das mesmas, o que aconteceu em Bacabal foi o que ocorreu em dezenas de outras cidades do Maranhão e do sul do Pará.

Bacabal era realmente uma cidade industrial, pois além das dezenas de indústrias de beneficiamento de arroz, algumas de grande porte, tinha-se também quatro indústrias de óleo de babaçu e até uma beneficiadora de algodão.

O caso do algodão é emblemático: em todo o nordeste do Brasil se multiplicaram centenas de indústrias que sucumbiram com o advento das fibras sintéticas, a base de petróleo. Numa época em que o barril de petróleo custava 3 dólares, em todo o mundo houve uma falência generalizada de beneficiadoras de algodão.

O caso do babaçu, por sua vez, nos remete a um passado recente. O óleo de babaçu é um óleo eminentemente industrial, apesar de ser usado na culinária maranhense, graças aos altos teores de ácidos graxos (oleico, linoleíco e palmítico), é indispensável na indústria de sabões e sabonetes. Ocorre que nos anos 70 e 80, no sudoeste asiático (Malásia, Indonésia, Filipinas) se começou a plantar de forma racional palmeiras de copra e o resultado foi surpreendente, com a tecnologia aplicada produziu-se até 22 toneladas de fruto por hectares/ano, enquanto no nosso regime de extrativismo vegetal se produz no máximo 1,5 toneladas de coco de babaçu, assim sendo o óleo produzido  na Ásia chegava no Brasil por um terço do preço do óleo de babaçu, como consequência praticamente todas as 64 industrias de extração de óleo de babaçu instaladas no estado do Maranhão, fecharam as portas.

Hoje Bacabal é uma cidade totalmente diferente em termos de atividade econômica, deixou de ser uma cidade industrial, para tornar-se uma cidade polo nos setores de comercio e serviços, com uma população flutuante de 400.000 habitantes, considerando-se a população das cidades circunvizinhas que gravitam em torno de Bacabal.

A cidade de Bacabal possui uma população de cerca de 110.000 habitantes e um PIB (toda riqueza produzida em um ano) de R$ 680.000.000,00 (seiscentos e oitenta milhões de reais). Para efeito comparativo, Santa Inês tem um PIB de R$ 583.000.000,00 (quinhentos e oitenta e três milhões de reais). Destaque-se que Bacabal é a oitava maior cidade do estado (em população), porém temos a quinta maior frota de veículos do estado cerca de trinta e cinco mil veículos, uma frota superior à cidade de Caxias que tem uma população de 160.000 habitantes. Por falar em PIB, o nosso é maior que o somatório do PIB das 100 menores cidades do estado.

Bacabal, excluindo a capital, é o segundo maior centro de vendas de veículo novos e usados do estado, só perdendo para Imperatriz. O concessionário Honda da nossa cidade já esteve em primeiro lugar de vendas de motos no Brasil inúmeras vezes.

Observa-se também que a cidade localizada no centro do estado, é um grande centro de distribuição e logística com grandes distribuidores tais como Coca-Cola, AMBEV, Schincariol entre outros. É também um dos maiores centros de distribuição de frios e congelados, além de ser uma cidade polo na educação com bons colégios e várias faculdades, e campus da UFMA, UEMA E IFMA.

No que diz respeito à pecuária com um rebanho de 130.000 cabeças de gado, o que torna a cidade uma das maiores produtoras do estado.

Diante do exposto, eu vos pergunto: Bacabal é realmente uma cidade do já foi e do já era, ou é uma cidade desconhecida dos seus munícipes, que não conhecem seu potencial e que precisa melhorar muito sua autoestima.
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